domingo, 25 de setembro de 2016

Já sei porque consegui viver de trocas...

Há muitas pessoas que me perguntam o motivo porque comecei a viver de trocas. De forma repetitiva conto a história em versão curta ou em versão longa, com mais ou menos pormenores emocionais. Vagamente digo que fui inspirada pela Terra dos Sonhos, pelo Banco do Tempo e também pelo grupo do facebook de trocas. Mais profundamente falo dos meus dois maridos, um mais consumista e focado no dinheiro e o outro nada focado no dinheiro e mais ecológico. Quando me sinto confortável conto um ou dois (ou serão 11?) pormenores que fazem da minha história, uma história de amor, sem "foram felizes para sempre."

Geralmente é sempre sobre o motivo que me perguntam... poucas vezes, ou direi nenhuma, me dizem como consegui tal proeza. Uns chamam coragem, outros loucura, outros consciência ou mesmo um despertar que me deu, para transformar a vida que levava. Mas perguntarem-me como é que consegui manter-me focada em viver quase sem dinheiro mais de 4 anos, isso geralmente ninguém pergunta.

Hoje descobri a resposta. O motivo pelo qual consegui tal proeza, foi devido à minha família. Hoje tive essa resposta de forma ainda mais concreta e descobri, que o que poderia ser uma coisa de valor, uma bênção e até quase que uma competência, apresenta-se como que um karma.

De um lado tenho uma família poupada, organizada, que aponta os seus gastos (todos) e faz comparação de gastos mês a mês. Pensa duas vezes em fazer uma compra e dinheiro gasto em lazer é muito pensado. Do outro lado, tenho uma família que não liga ao que tem, que sente que merece sempre menos dinheiro, que não liga ao dinheiro e que prescinde de bens e dinheiro, apenas e só porque não quer sentir-se materialista ou incomodar os outros.

Isto podia ser uma coisa boa! Podia. Mas o que acontece é que vivemos num mundo consumista, capitalista e focado no dinheiro, em ter dinheiro, em guardar dinheiro e mais grave, (porque o dinheiro em si não tem culpa nenhuma) enganar os outros para ficar a ganhar. Pessoas sem palavra, pessoas que usam formas de contornar as coisas e levar a melhor, de forma astuta como uma serpente, é uma coisa que claramente não tenho paciência. É quase do género: eu ter um tesouro, que é meu, está na minha pose e ao ver tantos gananciosos a querer tê-lo, a oferecer propostas (que "sabe-se-lá" qual a verdadeira, se é que há alguma!) fico logo sem vontade, viro as coisas e deixo-os lá a matarem-se por aquilo.

Até aqui tudo mais ou menos bem... ou mal. Pior é quando tenho sempre a sensação (e não sou a única) que tenho de me esforçar MUITOOOOOOOOOOOOOOOO para ganhar o que quer que seja... e a leve/forte sensação de que se algum dia ganho muito por algo que tenho o meu valor, é porque alguma coisa não está a correr bem. É mais ou menos do género, por exemplo dar palestras gratuitas ou à troca de uma tablete de chocolate (como já aconteceu) durante 1 a 3 horas, quando o valor comercial da palestra é entre 100€ a 5000€... É mais ou menos uma vergonha não é? Mas para quem?!!

É por estas e por outras que consegui viver de trocas: essencialmente porque me começa a fazer comichão cá dentro, quando fica tudo com os olhos inchados de ver um negócio e o dinheiro a crescer, mesmo quando se passa em cima de alguém. Eu não me importo de dar, oferecer... adoro! Mas se há coisa que detesto é sentir-me a ser tomada por parva... é por estas e por outras, que consegui viver de trocas: engolindo alguns sapos.
Claro que fiz trocas muito boas, umas que fiquei a "ganhar" (se é que isso existe) e outras que nem por isso. Umas que troquei por necessidade e outras por puro prazer. Mas nas trocas e quando se vive quase exclusivamente assim, a maioria das pessoas (ou pelo menos daquelas pessoas que não interessam a ninguém) acha sempre que pode tirar o melhor partido. Isto, porque esta luta pela sobrevivência desenfreada, em mais um trocos, mais uns bens e mais uns imóveis, é que conta para sermos pessoas mais ricas. (Como se a riqueza viesse de fora...)

É isto.


(Desculpem o desabafo, mas precisava mesmo... ufa!)


A vida é feita de momentos, de experiências, de pessoas que são importantes na nossa vida. Não de coisas, de casas, de móveis, de ouro, de coisas que nos gananciam e nos distanciam do que é verdadeiramente importante. As casas vazias com pessoas que já partiram, não têm valor nenhum. O valor já partiu... eram as pessoas! :(

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Ofereço 11 consultorias durante 1 dia (em Lisboa ou Sintra)

Sei cada vez mais, que só existimos para servir os outros.


À primeira vista este título pode parecer muito altruísta e solidário, mas é o que eu sinto. E digo mais, só "servindo" os outros nos conseguimos ir construindo como um todo, vivendo e sobrevivendo. Quando digo servir, refiro-me a ter uma função no todo e não no sentido da palavra de "servir" de forma inferiorizada como muitas vezes pensamos. É um servir que colabora, compartilha e é útil para o todo.


Ora vejamos... quando ficam muito tempo em casa sem fazer nada, sem ver ninguém, principalmente se for numa situação de desemprego, não há um sentimento que não valemos nada e não servimos para nada?! A nossa saúde ressente-se e a nossa autoestima também. Eu senti isso, no finalzinho das trocas. Não que não me sentisse útil, mas já começava a pensar que não estava a fazer diferença no mundo.


Fazer diferença é importante para mim, como pessoa, mas também sentir-me útil aos outros, poder ajudar os outros, principalmente aqueles que mais dificilmente têm ajuda. Sempre fui assim. Sempre fui de querer ser amiga da menina mais pobre da escola primária ou apaixonar-me pelo rapaz que tinha bom fundo e interessante, mas era um pouco posto de parte. É. É verdade, isto às vezes não é nada bom, mas é o meu calcanhar de Aquiles, o que se há-de fazer?!


Durante muito tempo da minha vida, ajudei pessoas carenciadas, grupos desfavorecidos ou em risco (seja lá o que isto for), desempregados, toxicodependentes, etc, etc. Mas com as trocas percebi que setorizar isto desta forma é uma forma subtil de "discriminação". Quem somos nós para supor que alguém que esteja desempregado precisa de ajuda?! Cada um é que sabe de si. Eu por exemplo estive desempregada por opção e na altura foi das coisas mais libertadoras da minha vida.


Assim, ao longo da minha adolescência e início da fase adulta, passei de uma necessidade de ajudar os outros com a finalidade de me ajudar a mim para uma outra perspetiva que é, onde é que eu posso ser útil, que possa crescer também? Não é só uma coisa de dar, mas é uma coisa de trocar, de um lado para o outro.


Estive uns tempos parada, ainda me sinto parada das trocas, dos eventos, das palestras... A minha vida acalmou 80%... mas nada me sabe melhor quando dou uma palestra e partilho as minhas experiências ou quando consigo numa conversa amiga ajudar alguém a ver a luz ao fundo do túnel, apenas mostrando que se pode sair da caixa e ver o céu do lado de fora.


Continuo com muitos sonhos: de mudar o mundo, de ter um filme com a minha vida, de escrever uma data de livros, de conhecer a Oprah, de ser uma palestrante de renome em Portugal (e quiçá no mundo)... mas sinceramente tudo isto está dentro de uma caixa. Mas, atrevi-me a olhar por um buraquinho e percebi que não posso estar mais tempo sem pôr em prática tudo o que vivi estes tempos e a ensinar as coisas que descobri... isso seria puro egoísmo!


Gosto genuinamente de ajudar pessoas... e a minha relação com o dinheiro é verdadeiramente desprendida. Gostava de um dia poder ser sustentável monetariamente com algumas das coisas que faço, mas hoje o que sinto é que preciso de passar a palavra.


Não sei como será no futuro... serei consultora como a Marie Kondo? Não sei... mas agora o que sei é que preciso de "11 cobaias" para durante 1 dia ajudar em dicas de ecologia, economia, sustentabilidade, saúde e simplicidade na procura de uma vida mais humana e feliz. Saberei eu onde isto chegará?


Quem alinha de Lisboa ou Sintra?


Enviem email para believeinportugal@gmail.com
Cá vos espero!

terça-feira, 21 de junho de 2016

Uma das palavras que mais odeio: D I E T A !

Juntem mais 6 quilos...
Foto em 2015 de Lieve Tobback
Claro que há palavras bem piores que dieta, tais como ódio, falta de amor, guerra, violência, desespero, solidão, saudades... Enfim... Mas se querem que vos diga, quase todas me fazem lembrar DIETA, ou o estado antes, antes de se precisar de uma dieta. Quer seja devido ao ódio ao nosso corpo; à falta de amor nele e em nós próprios; à guerra que fazemos para nos controlarmos no consumo de calorias e afins; à violência quando comemos mais do que a conta de forma premeditada e violenta, há sempre palavras menos bonitas associadas a este estado de (des)graça.

Faz hoje 1 ano e 11 dias que comecei o meu segundo livro. O seu nome era: "1 ano, 11 dias e 1 biquini". O meu segundo livro que não vai ser editado, porque não foi concluído. Consegui escrever durante 3 meses e já ia nas 61 páginas. Estava a ficar um livro bom! Estava a conseguir emagrecer cerca de 4 quilos por mês. Era um livro sobre uma mudança de mentalidade, a minha mudança de mentalidade face às dietas. Trocar de corpo para trocar de vida! A minha nova mudança durante 1 ano e 11 dias, no caminho para usar um biquíni pela primeira vez da minha vida, ou seja hoje: no primeiro dia de Verão deste ano. Não consegui. E pior que tudo, ainda engordei mais 6 quilos do que quando iniciei.

Depois da dieta L, em 2010
Foto de Isabel Figueiredo
Começo a desistir. Já fiz a dieta D, H, L, N, S e T. Mas se conhecerem a X ou a Z digam-me, porque essas não experimentei. :/ Estou a brincar...  Decidi que nunca mais faço dieta na vida! E com isto não quer dizer que nunca mais queira emagrecer, o que quer dizer é que nunca mais me vou deixar de privar de nada, porque depois, Oh! depois, é sempre pior.

Tenho de admitir: tenho um problema com a comida! Eu até tenho personal trainer à troca, esteticista à troca, nutricionista à troca... e até já tive spa (e tudo) à troca! Mas o problema está em mim. E se eu não acredito em mim, ninguém pode fazê-lo por mim... Não é verdade?

Quando iniciei este segundo livro, o ano passado, julguei que tinha dado o "tal click", aquele quando não podemos voltar mais para trás. Aquele que dizemos "é agora ou nunca"! Mas a verdade verdadinha é que o meu maior prazer é mesmo comer!!! E não é propriamente vegetais e fruta! :/

Não sei se algum dia vou dar o tal "ah ah, é agora". Desejo que aconteça. Mas depois de uma vida de trocas e de algumas privações, como diz uma amiga minha psicóloga, especialista em acompanhamento de pessoas em pós-guerra: eu estive em guerra, na luta da sobrevivência dia-a-dia quando vivia de trocas, é natural que agora queira compensar e que ainda tenha alguma ansiedade ligada à privação, que tinha diariamente.

Se senti ansiedade e privação quando vivia de trocas?! Não, não senti! Se sentia falta de alguma coisa? Não, verdadeiramente não senti. Claro que me lembrava que gostaria de comer um gelado ou um bolo, mas como não tinha dinheiro, não os comprava, e como a minha vida era tão animada, não tinha tempo para ficar carente de alimentos.

É assim a vida. Se algum dia vou ser magra? Não sei. Se vou voltar a acreditar em mim?! Se vou voltar a gostar de mim?! Se vou voltar a sentir-me feliz?! Não sei. Mas indiscutivelmente isto terei de algum dia fazer...

(A intenção do meu blog sempre foi no sentido de falar de mim para mim... Acredito que talvez este novo "falar" me dê algum ânimo para voltar a erguer-me... É tudo por hoje!)

sábado, 18 de junho de 2016

Offline (por vezes) é o melhor estado do mundo!!!!

Offline Portugal, Aljezur

Depois de tantos anos ONLINE... nas redes sociais, na televisão, na rádio, nos jornais... tenho a dizer-vos que me cansei um pouco de ter a minha vida tão exposta e partilhada. Também me cansei de conhecer pessoas em catadupa... parecia que já não tinha mais espaço na minha memória para decorar mais um nome e mais uma cara. Podem não acreditar, mas foi isso que se passou.

Passado quase 1 ano de finalizar a minha vida trocas em exclusivo, senti-me cansada e esgotada energeticamente de tanta gente que conheci, de tantos trabalhos que tive, de tantas preocupações que tinha diariamente (quer fosse para me alimentar, para me transportar, ou simplesmente viver sem dinheiro).

Necessitei de uma pausa, uma pausa OFFLINE, apesar de continuar pontualmente nas redes sociais, no facebook, no instagram e até no pinterest. Mas era um continuar diferente, onde de forma ordeira e calma vou participando nas redes sociais, mas sem a pressão de colocar conteúdos todos os dias, de promover marcas e pessoas, de fazer trocas, de escrever no blog mostrando as minhas atividades diárias. Ou seja, utilizar as redes sociais apenas como uma "comum mortal"!

Mas depois de tanto tempo... precisei (e ainda preciso) de um tempo verdadeiramente OFFLINE. Para colocar a cabeça e o coração no lugar e perceber para onde quero caminhar. A experiência de viver de trocas, foi muito maior do que algum dia poderia pensar ou prever. Além de uma alteração total ao meu estilo de vida, foi também redescobrir e aproximar-me um pouco mais do meu verdadeiro eu. Mas um eu, que ainda anda um pouco confuso e até cansado, de tanta troca! Sim, as trocas cansam!!!

E pronto... estar OFFLINE não só das redes sociais, mas estar ONLINE connosco e com quem nos rodeia, de forma coesa, humana e limpa. Simples. Foi desta forma que experimentei um conceito de uma amiga: o OFFLINE PORTUGAL. O OFFLINE PORTUGAL nada mais é do que um sítio brutal para passar férias de forma OFF do mundo virtual. Ou seja, um mundo sem computador, sem internet, sem telemóvel, sem tablet. Em OFF mas muito ON. Eu explico...

A primeira coisa que se faz, no momento do Check-in é entregar os nossos aparelhos com ligação à net, quer sejam telemóveis, computadores ou tablets. Vão para dentro destas gavetinhas, mas ficamos sempre com a chave da gaveta onde os nossos aparelhos estão. E pronto, agora é só "gozar" a nossa estadia sem esta ligação "doentia" com o mundo virtual.

Desenganem-se que o dia-a-dia no OFFLINE PORTUGAL é uma seca, parado, sem coisas para fazer e com a noção que temos de estar OFF (tipo amorfos, quietos e quase mortos). Nada disso, ali estamos ON, mas ON no dia-a-dia, connosco, com os outros. Criamos uma família temporária com os hóspedes e com os voluntários e partilhamos quase todos os momentos do dia, em conjunto: nas refeições, nas idas à praia, nas caminhadas, nas aulas de yoga e surf, na piscina... E depois de jantar, em vez de ficarmos agarrados à televisão ou ao computador, estamos juntos de novo, conversamos, cantamos, dançamos, tocamos instrumentos e relaxamos.

No fundo estar OFF é verdadeiramente ON! :) "Disconnet to reconnet", é o lema do OFFLINE PORTUGAL!

Estive 2 dias neste maravilhoso estado... e para vos dizer a verdade, mal senti a falta do contato com o mundo virtual. Não posso negar que algumas vezes me perguntava porque não tinha o telemóvel na minha mala e especificamente ao deitar me lembrava de ir ver se tinha alguma mensagem no facebook ou um novo like no Instagram... Mas isso foi passando com o tempo! Repetia a experiência por pelo menos 11 dias. Será que conseguia?!

...

Boas temporadas OFF's para vocês. Aproveitem o Verão para menos fotos: aos pés na areia, ao pôr-de-sol laranja, aos pratos de caracóis, ao novo biquini... e mais: para olharem nos olhos das pessoas que vos acompanham nessas experiências.

Bem haja Rita e Bárbara por esta experiência. Valeu a pena estar muito ON... mas ON MESMO! :)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ó tempo que não vinha aqui...

Pois é... o tempo passa e nem damos por ele... Desde o último dia que aqui escrevi, dia da Liberdade, muitas coisas se passaram... mas escrever não foi uma delas. Acontece, que durante todo este tempo, fui partilhando a minha vida, as minhas opções, os meus pensamentos e escolhas, e por uns momentos, soube-me bem ficar anónima em tudo isto.
Não sei se estou de volta às lides dos blogs, mas hoje sei que me apeteceu partilhar o que me vai na alma... e falar um pouco de mil assuntos que foram sendo alterados na minha vida...
E por isso, vou listar os 11 assuntos mais importantes, esperando que num dia de mais inspiração "partilhadora" os poder detalhar:
1. Comecei a dar palestras em empresas
3. Consegui começar a escrever para revistas
4. Vou começar a trabalhar! :)
5. Não sei o que fazer com o meu blog
6. Comecei a escrever um novo livro
7. Iniciei um novo projeto que não passou do papel e que tem a ver com o livro do ponto 5. :(
8. Deixei de ser vegetariana "totalmente"
10. Estou numa fase de "calmaria"... diria mais, paragem total e absoluta
11. ...
Por hoje, fico-me por aqui, mas se me quiserem encontrar é no Centro Comercial Alegro Alfragide e Castelo Branco (e quiçá Setúbal), algumas 4as feiras! :)